Notas sobre o funk

Com tambor ou sem ele, o funk carioca é uma estratégia de sobrevivência. Tanto mais o matam, mais intensamente ele vive, tantas outras formas assume, tão mais incômodas e provocativas. Ele se alimenta do genocídio nosso de cada dia.

DJ Lugarino, 1998

Na tarde de terça-feira, 17 de março de 2014, o DJ Marcelo André reuniu em sua residência os DJs Lugarino e Luciano Oliveira mais alguns amigos. Pude então conversar com Lugarino sobre o CD que ele produziu em 1998.

Visão de cria

Nós fecha nessa porra no claro e no escuro, nós roba, nós trafica, nós não gosta de andar duro. É só de Hornet pra cima no bonde do caça-tesouro, é só guerrilheiro bolado que anda trepado e pesado de ouro.

DJ Luciano: o Tamborzão

Nacionalizamos o funk. Deixamos de usar os loops de fora. Começamos a criar os nossos aqui. Acho que basicamente foi isso. O ritmo inclusive mudou bastante. O Tamborzão mudou o jeito de criar as músicas. Ficou mais suingado eu diria, mais dançante, mais sensual.

Grandmaster Raphael

A partir de 1988, 1989 começou essa coisa de fazer o funk, o nosso funk. E eu sou um dos responsáveis, que começou isso, junto com o Marlboro, que também estava nessa coisa de fazer funk em português. Ele tinha lá o movimento de uma maneira, e eu fazia de uma outra maneira.

Praga: o compositor

O mercado do funk não tem espaço para compositor. Nunca teve. Isto está sendo bacana, isto que estou conseguindo realizar, uma coisa que já via lá atrás.

Tamborzão: fortuna crítica

A contraposição entre uma música que aconteça “de dentro para fora” e outra que ocorra “de fora para dentro” não tem qualquer embasamento na História. Trata-se da expressão de uma ideologia, esta sim, em crise.

From Black Pride to Favela Pride

“And the rarities of the soul heyday, the most curious offshoots of a curious phenomenon — works like Tim Maia’s ‘Racional’ — are sought after and treasured as the keys to understanding a different Brazil, one whose contours and mysteries were barely glimpsed before it disappeared.”

Do orgulho negro ao orgulho de cria

“E as raridades do apogeu do soul, os mais curiosos desdobramentos de um fenômeno curioso — trabalhos como o ‘Racional’ de Tim Maia — são procurados e valorizados como chaves para entender um Brasil diferente, um Brasil cujos contornos e mistérios mal se avistaram antes que desaparecesse.”

O som à prova de bala

Em primeiro plano, uma sucessão de tônicas em que tudo é moderado. Em plano distante, impulsões de massa complexa agregam-se em notas de grão espesso e ataque abrupto, com durações assimétricas, em movimento nos campos das intensidades e das alturas.